quarta-feira, 23 de abril de 2008

As vezes...

... é preciso esconder as facas e nunca se aproximar de sacadas altas ou terraços.



Um soco no estômago.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Beirut - The Flying Club Cup

Escutando o cd e escrevendo.

Na
primeira música, alarmes soam e abrem as portas do cd.

A segunda faixa o Beirut nos leva a um clima de espera numa cidade movimentada e cheia, monótona e repetitiva, afastada do centro e com todos males das pequenas cidades. Um momento onde a monotonia tomou conta e não sabemos mais o que fazer a não ser seguir passageiro do próprio destino.

A terceira faixa é um canto de início de manhã num bar qualquer. Ainda estou aqui dizem todas vozes que juntas cantam a última canção da noite, ou primeira da manhã dependendo da perspectiva de vida de cada um. O sol nasce novamente, isso é a única certeza e porque não seria suficiente pra sorrir?

Um dia comum de vento, vejo a cidade da varanda e penso, é, não é tão ruim. Parece meio clichê mas não é fácil conter a esperança e alento que as coisas simples exalam e nos tocam. Poucas alternativas, poucos caminhos, poucas chances e mesmo assim acreditar é possível. Nenhuma alegria logicamente justificável pode se comparar a doçura que surge irracionalmente sabe-se de onde, sabe-se porque.

Mais um no meio da multidão, e mesmo assim único. Essa é a quinta faixa.

As lembranças são facas que trazem dor mas também alívio. O ontem sempre se misturará com o hoje e será responsável pelo amanhã. Amanhecerá e como sempre teremos uma canção que nos toca e faz sentir bem. E se temos algo que nos satisfaz, pra que se perder em cobiça?

Para recomeçar precisamos, irremediavelmente, de pontos finais. Estes não surgem espontaneamente, precisam ser construídos, e, muitas vezes, aparecem quando reinterpretamos as coisas, aceitamos fatos, e encaramos tudo sob um novo olhar. Do desalento e tristeza que surge a esperança do recomeço.

Apenas botando a cara pra fora que veremos o sol, e somente sentindo o sol temos a certeza que a noite escura, o tempo nublado e as chuvas contínuas eram realmente passageiras. E é engraçado, mas até na chuva podemos dançar.

É claro que se as coisas ruins podem ser vistas como falsas e criações nossas, as boas podem seguir o mesmo caminho. E é isso que acontece dentro de cada um, uma avalanche de falsidades, boas e ruins, esperançosas e desesperançadas.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Falsa Paz

Sabem aqueles dias em que as lembranças voltam e sentimos as feridas cicatrizadas doerem como se fosse um corte com a faca recente, aberto.

Os dias em que o vento não apenas sopra, ele conversa, encanta e te carrega pra outro lugar noutro tempo em que a partida acontece mas tu já sabe o fim, conhece a derrota e a sente de novo.

O dia em que todos olhares são de dó e nem toda capacidade teatral, de dissimulação ou de proteção adiantam. Estás frágil e sensível, aberto e entregue.

Confuso sim! Mas também com a certeza de que não adianta. O dia que tu vai para o norte, procurando o sul. Que o ontem se mostra hoje ao menos na força que te atinge.

Que o mar não tem marulho, tem sim um gemido, a dor que é compaixão, companhia e piedade. Os pássaros lembram que a vida segue, mas pra onde? Ciclos, círculos e caminhos repetidos, um Deja Vu eterno e duro.

O futuro pertence ao passado.

sábado, 6 de outubro de 2007

Inverso

Fim de tarde, sexta-feira quente, calorenta, cansativa, sufocante.

- As vezes me deito na cama e escuto música querendo apenas não pensar em nada.

Disse ele mais inquieto que o normal no divã, depois de uma tragada de seu inseparável companheiro Marboro Red.

- Mas que pensamento te assusta?

Perguntou a "normal", sentada na ponta de sua poltrona marrom areia, com sua saia clássica, elástico na cintura e com curioso detalhe passante e faixa para amarrar. Bege, sem vida, sem emoção, sem.

- Não sei, mas as vezes penso que não penso e isso inquieta ainda mais, como se o nada me amedrontasse, menos que qualquer outra coisa, mas muito. Caminho de um lado a outro da casa, procuro respirar, procuro entender.

Ele agora está sentado, olhar baixo, cabelo bagunçado, cigarro fortemente apertado entre os dedos. As olheiras são inegáveis, os lábios secos gritantes. Parece que não dorme a dias.

- E porque não descansa? Porque te culpa? Com o que?

Ela segura no colo um bloco de notas, tem uma caneta que desliza entre seus dedos como se batucasse uma música. Ela já não escreve nada mais, mas seus olhos não escondem sua curiosidade, sua preocupação.

- Não me culpo por nada! De onde tiraste isso? Não descanso porque não consigo, não quero o momento antes do sono que nos faz pensar no que estamos fazendo. Não quero não pensar.

Pela primeira vez ele a encara. O castanho vibrante dos olhos ainda está ali, escondido entre as lentes de seus óculos com armação fina, cinza.

- Porque cala? Fale tudo que tem pra falar, não guarde nada não.

O silêncio toma conta da sala, só se pode ouvir o tic-tac do relógio que não percebe que não é momento para seguir como sempre.

Ele se levanta, ela também.

Ela devolve o bloco e a caneta a ele e senta no divã.

Ele busca sua poltrona.

- Qual o diagnóstico do analista?

Pergunta ele, agora com uma nova feição, um sorriso sarcástico.

- Nenhum, mas pode tomar umas pílulas, entender não é preciso.

Disse ela, agora sorrindo e se aconchegando no divã.

As coisas agora estão no seu lugar.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Início do Mês

Antes de escrever um texto no blogger, eu escrevo no google docs.

E dessa vez foi diferente, abri o GD e tinha uma mensagem do lado da última mensagem, "no início deste mês". Pensei, como assim? Mas que medida mais inconveniente, imprecisa, ela dá a impressão de que estamos no fim do mês.

No momento seguinte olhei o calendário e fiquei preocupado, levei um susto.

30 de Agosto de 2007. Pense só, se foi mais um mês, entramos em setembro, já é quase fim do ano e tudo continua igual pra mim, como não poderia ser. Como prometi não ser. Nem sei o que fazer agora.

Aliás, nem é tão igual, estou de volta ao casulo, noites em claro, dias sem luz. Não é intencional ou por necessidade, não sei o porque e não entendo, o pior, não tenho manual nem comprimidos.


P.S. Desculpem a ausência no blog, mas é que deixei de perceber que o tempo passava.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Singularidades Múltiplas

Não dá pra entender o funcionamento das coisas.
Não é lógico, não é coerente.
Não existem repetições, seqüências ou regularidades.
Dane-se o método.

terça-feira, 31 de julho de 2007

SFS - Breve Definição.

Explicarei a SFS - Síndrome Fajuta de Samaritanismo.

A SFS se caracteriza por uma vontade excessiva de auxílio a outras pessoas, tornando esse o objetivo principal da existência da vítima desse mal. Desde os relacionamentos mais simples, aos mais complexos, existe uma atração por aquilo que parece mais complicado e que precisa de ajustes e mudanças. A pessoa que sofre dessa síndrome, freqüentemente tem insucessos na vida amorosa, por um motivo simples, a mesma (vida amorosa) fica baseada na necessidade de existirem problemas a ser resolvidos, a instabilidade é a base dos relacionamentos sendo que é ela que torna o relacionamento atraente. No momento em que acontece uma estabilidade e "as coisas se acertam", o interesse desaparece.

Ou seja, é um pressuposto para se manter bem, encontrar o mal. Conforme alguns casos clínicos conhecidos é possível notar que os portadores dessa síndrome acabam por interpretar as suas atitudes como motivadas por algo bom (ajudar o próximo) e não a enxergam como problema, os exageros ou a exclusividade que tal sentimento toma no seu cotidiano, acabam por acreditar que seus relacionamentos estão ligados de forma intrínseca a uma relação de hierarquia entre os participantes do relacionamento, onde, apesar de se colocar como protetor do outro, se percebe como um lado inferior da relação, por superestimar a dependência que tem dessa pessoa com a qual se relaciona.

Breve novos aprofundamentos.