Fim de tarde, sexta-feira quente, calorenta, cansativa, sufocante.
- As vezes me deito na cama e escuto música querendo apenas não pensar em nada.
Disse ele mais inquieto que o normal no divã, depois de uma tragada de seu inseparável companheiro Marboro Red.
- Mas que pensamento te assusta?
Perguntou a "normal", sentada na ponta de sua poltrona marrom areia, com sua saia clássica, elástico na cintura e com curioso detalhe passante e faixa para amarrar. Bege, sem vida, sem emoção, sem.
- Não sei, mas as vezes penso que não penso e isso inquieta ainda mais, como se o nada me amedrontasse, menos que qualquer outra coisa, mas muito. Caminho de um lado a outro da casa, procuro respirar, procuro entender.
Ele agora está sentado, olhar baixo, cabelo bagunçado, cigarro fortemente apertado entre os dedos. As olheiras são inegáveis, os lábios secos gritantes. Parece que não dorme a dias.
- E porque não descansa? Porque te culpa? Com o que?
Ela segura no colo um bloco de notas, tem uma caneta que desliza entre seus dedos como se batucasse uma música. Ela já não escreve nada mais, mas seus olhos não escondem sua curiosidade, sua preocupação.
- Não me culpo por nada! De onde tiraste isso? Não descanso porque não consigo, não quero o momento antes do sono que nos faz pensar no que estamos fazendo. Não quero não pensar.
Pela primeira vez ele a encara. O castanho vibrante dos olhos ainda está ali, escondido entre as lentes de seus óculos com armação fina, cinza.
- Porque cala? Fale tudo que tem pra falar, não guarde nada não.
O silêncio toma conta da sala, só se pode ouvir o tic-tac do relógio que não percebe que não é momento para seguir como sempre.
Ele se levanta, ela também.
Ela devolve o bloco e a caneta a ele e senta no divã.
Ele busca sua poltrona.
- Qual o diagnóstico do analista?
Pergunta ele, agora com uma nova feição, um sorriso sarcástico.
- Nenhum, mas pode tomar umas pílulas, entender não é preciso.
Disse ela, agora sorrindo e se aconchegando no divã.
As coisas agora estão no seu lugar.
sábado, 6 de outubro de 2007
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Início do Mês
Antes de escrever um texto no blogger, eu escrevo no google docs.
E dessa vez foi diferente, abri o GD e tinha uma mensagem do lado da última mensagem, "no início deste mês". Pensei, como assim? Mas que medida mais inconveniente, imprecisa, ela dá a impressão de que estamos no fim do mês.
No momento seguinte olhei o calendário e fiquei preocupado, levei um susto.
30 de Agosto de 2007. Pense só, se foi mais um mês, entramos em setembro, já é quase fim do ano e tudo continua igual pra mim, como não poderia ser. Como prometi não ser. Nem sei o que fazer agora.
Aliás, nem é tão igual, estou de volta ao casulo, noites em claro, dias sem luz. Não é intencional ou por necessidade, não sei o porque e não entendo, o pior, não tenho manual nem comprimidos.
P.S. Desculpem a ausência no blog, mas é que deixei de perceber que o tempo passava.
E dessa vez foi diferente, abri o GD e tinha uma mensagem do lado da última mensagem, "no início deste mês". Pensei, como assim? Mas que medida mais inconveniente, imprecisa, ela dá a impressão de que estamos no fim do mês.
No momento seguinte olhei o calendário e fiquei preocupado, levei um susto.
30 de Agosto de 2007. Pense só, se foi mais um mês, entramos em setembro, já é quase fim do ano e tudo continua igual pra mim, como não poderia ser. Como prometi não ser. Nem sei o que fazer agora.
Aliás, nem é tão igual, estou de volta ao casulo, noites em claro, dias sem luz. Não é intencional ou por necessidade, não sei o porque e não entendo, o pior, não tenho manual nem comprimidos.
P.S. Desculpem a ausência no blog, mas é que deixei de perceber que o tempo passava.
terça-feira, 7 de agosto de 2007
Singularidades Múltiplas
Não dá pra entender o funcionamento das coisas.
Não é lógico, não é coerente.
Não existem repetições, seqüências ou regularidades.
Dane-se o método.
Não é lógico, não é coerente.
Não existem repetições, seqüências ou regularidades.
Dane-se o método.
terça-feira, 31 de julho de 2007
SFS - Breve Definição.
Explicarei a SFS - Síndrome Fajuta de Samaritanismo.
A SFS se caracteriza por uma vontade excessiva de auxílio a outras pessoas, tornando esse o objetivo principal da existência da vítima desse mal. Desde os relacionamentos mais simples, aos mais complexos, existe uma atração por aquilo que parece mais complicado e que precisa de ajustes e mudanças. A pessoa que sofre dessa síndrome, freqüentemente tem insucessos na vida amorosa, por um motivo simples, a mesma (vida amorosa) fica baseada na necessidade de existirem problemas a ser resolvidos, a instabilidade é a base dos relacionamentos sendo que é ela que torna o relacionamento atraente. No momento em que acontece uma estabilidade e "as coisas se acertam", o interesse desaparece.
Ou seja, é um pressuposto para se manter bem, encontrar o mal. Conforme alguns casos clínicos conhecidos é possível notar que os portadores dessa síndrome acabam por interpretar as suas atitudes como motivadas por algo bom (ajudar o próximo) e não a enxergam como problema, os exageros ou a exclusividade que tal sentimento toma no seu cotidiano, acabam por acreditar que seus relacionamentos estão ligados de forma intrínseca a uma relação de hierarquia entre os participantes do relacionamento, onde, apesar de se colocar como protetor do outro, se percebe como um lado inferior da relação, por superestimar a dependência que tem dessa pessoa com a qual se relaciona.
Breve novos aprofundamentos.
A SFS se caracteriza por uma vontade excessiva de auxílio a outras pessoas, tornando esse o objetivo principal da existência da vítima desse mal. Desde os relacionamentos mais simples, aos mais complexos, existe uma atração por aquilo que parece mais complicado e que precisa de ajustes e mudanças. A pessoa que sofre dessa síndrome, freqüentemente tem insucessos na vida amorosa, por um motivo simples, a mesma (vida amorosa) fica baseada na necessidade de existirem problemas a ser resolvidos, a instabilidade é a base dos relacionamentos sendo que é ela que torna o relacionamento atraente. No momento em que acontece uma estabilidade e "as coisas se acertam", o interesse desaparece.
Ou seja, é um pressuposto para se manter bem, encontrar o mal. Conforme alguns casos clínicos conhecidos é possível notar que os portadores dessa síndrome acabam por interpretar as suas atitudes como motivadas por algo bom (ajudar o próximo) e não a enxergam como problema, os exageros ou a exclusividade que tal sentimento toma no seu cotidiano, acabam por acreditar que seus relacionamentos estão ligados de forma intrínseca a uma relação de hierarquia entre os participantes do relacionamento, onde, apesar de se colocar como protetor do outro, se percebe como um lado inferior da relação, por superestimar a dependência que tem dessa pessoa com a qual se relaciona.
Breve novos aprofundamentos.
Café, café, café...
Bom, se tudo der errado, posso aprender a fazer isso com café e passar a eternidade numa cafeteria o que não me parece tão ruim.
Vejam que maravilha isso, chega a dar agua na boca...
P.S. Já existe algum meio barato de se manter as coisas quentes em pequenas quantidades, tipo 300 ou 500 ml? Se sim, porque não existe um tele-café?
Vejam que maravilha isso, chega a dar agua na boca...
P.S. Já existe algum meio barato de se manter as coisas quentes em pequenas quantidades, tipo 300 ou 500 ml? Se sim, porque não existe um tele-café?
Divagações.
Não escrevo a um bom tempo, mas é bem mais por falta de assunto do que vontade.
Estou em casa, sem fazer nada de muito novo, passando pela internet, descobrindo novidades esportivas vendo alguns filmes, lendo alguns bloggers e principalmente fazendo nada.
Novamente meus horários estão invertidos e durmo só de manhã até o início da tarde, nem sei bem o motivo, acho que é porque gosto do silêncio da noite mesmo, que só é interrompido pelos gritos (latido é uma definição muito simplória pra o que ele faz) do meu cachorro.
Procuro pedaços de algo que goste naquilo que vejo, ainda não sei o que me atrai. Como tema de pesquisa. Gostava da religião, mas queria um campo diferente da experiência intensa que ligo ao trabalho com religião. Quero dizer com intenso um campo dentro de um curto período de tempo, e contínuo com os pesquisados, como o que fiz nas peregrinações. E não um campo pingado, que seria com diversas visitas em horários distintos, visitas relativamente curta. Nem sei o que gosto mais, na verdade, estou meio perdido. As coisas parecem que se tornaram mais claras, mas de repente, tudo se torna nublado, denso, cinza.
Já pensei muito sobre tudo, não entendo bem ´porque esse aparente descontrole tinha que acontecer agora. Sempre fui meio perdido e desorganizado mas parece que um redemoinho passou e não ficou nada em seu lugar.
Acho que meu tempo passou, será que ainda recupero as coisas?
Estou em casa, sem fazer nada de muito novo, passando pela internet, descobrindo novidades esportivas vendo alguns filmes, lendo alguns bloggers e principalmente fazendo nada.
Novamente meus horários estão invertidos e durmo só de manhã até o início da tarde, nem sei bem o motivo, acho que é porque gosto do silêncio da noite mesmo, que só é interrompido pelos gritos (latido é uma definição muito simplória pra o que ele faz) do meu cachorro.
Procuro pedaços de algo que goste naquilo que vejo, ainda não sei o que me atrai. Como tema de pesquisa. Gostava da religião, mas queria um campo diferente da experiência intensa que ligo ao trabalho com religião. Quero dizer com intenso um campo dentro de um curto período de tempo, e contínuo com os pesquisados, como o que fiz nas peregrinações. E não um campo pingado, que seria com diversas visitas em horários distintos, visitas relativamente curta. Nem sei o que gosto mais, na verdade, estou meio perdido. As coisas parecem que se tornaram mais claras, mas de repente, tudo se torna nublado, denso, cinza.
Já pensei muito sobre tudo, não entendo bem ´porque esse aparente descontrole tinha que acontecer agora. Sempre fui meio perdido e desorganizado mas parece que um redemoinho passou e não ficou nada em seu lugar.
Acho que meu tempo passou, será que ainda recupero as coisas?
sexta-feira, 27 de julho de 2007
O Retorno.
Bom, passou o ritual, passaram as pessoas, encontros, sorrisos, discussões, borburinhos, de um tudo.
Agora é o momento que alguns chamam de avaliação, e que se volta ao cotidiano, eu pelo menos estou de volta, pra onde nem tenho muita certeza, mas de volta. A RAM foi cansativa e desgastante, mas serviu pra reanimar um pouco. Ouvir o bom e velho antropoologuês ecoando por todos os lados.
Ficou a vontade de ler alguns textos que não vi as apresentações, mandar alguns e-mails e de ir a Buenos Aires daqui a dois anos com, tanguera e antropologia, mate e pessoas, alegrias e surpresas.
Para ir apetecendo ânimos, Gardel.
Agora é o momento que alguns chamam de avaliação, e que se volta ao cotidiano, eu pelo menos estou de volta, pra onde nem tenho muita certeza, mas de volta. A RAM foi cansativa e desgastante, mas serviu pra reanimar um pouco. Ouvir o bom e velho antropoologuês ecoando por todos os lados.
Ficou a vontade de ler alguns textos que não vi as apresentações, mandar alguns e-mails e de ir a Buenos Aires daqui a dois anos com, tanguera e antropologia, mate e pessoas, alegrias e surpresas.
Para ir apetecendo ânimos, Gardel.
domingo, 22 de julho de 2007
RAM
Bem, penso que um congresso é um momento liminar pra qualquer um.
Pessoas, pesquisas, trabalhos, idéias, velhos conhecidos, novas parcerias, papos, boteco(s), discussões... Mais do que ver ou apresentar um trabalho, ver amigos e fazer novos, achar pessoas com interesses comuns e progredir nas pesquisas é um momento de oxigenação.
O momento em que respiramos, que tomamos fôlego, que percebemos que não estamos tão sós no fazer das pesquisas, notamos que aquilo que parece um barco furado (as vezes), pode até ser, mas que ele está cheio de muitos outros que acreditam, e como disse muito apropriadamente Raulzito:
"Sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto, é realidade".
E é esse espírito que levo pra RAM, preciso oxigenar, preciso tomar ar para poder terminar meu curso, para ter motivação, para seguir em frente. Ah, idéias serão bem-vindas também, já que passo por algo que nunca esperei que é depois de tantos trabalhos, tantas pesquisas, tantos campos não tenho certeza sobre o que escrever.
Sei que tenho que fazer, sei que posso fazer, mas falta tesão, falta gás, falta ar. Mas isso é passageiro, tem que ser...
Pessoas, pesquisas, trabalhos, idéias, velhos conhecidos, novas parcerias, papos, boteco(s), discussões... Mais do que ver ou apresentar um trabalho, ver amigos e fazer novos, achar pessoas com interesses comuns e progredir nas pesquisas é um momento de oxigenação.
O momento em que respiramos, que tomamos fôlego, que percebemos que não estamos tão sós no fazer das pesquisas, notamos que aquilo que parece um barco furado (as vezes), pode até ser, mas que ele está cheio de muitos outros que acreditam, e como disse muito apropriadamente Raulzito:
"Sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto, é realidade".
E é esse espírito que levo pra RAM, preciso oxigenar, preciso tomar ar para poder terminar meu curso, para ter motivação, para seguir em frente. Ah, idéias serão bem-vindas também, já que passo por algo que nunca esperei que é depois de tantos trabalhos, tantas pesquisas, tantos campos não tenho certeza sobre o que escrever.
Sei que tenho que fazer, sei que posso fazer, mas falta tesão, falta gás, falta ar. Mas isso é passageiro, tem que ser...
sábado, 21 de julho de 2007
Proposta.
Este será meu diário nos próximos meses. Estarei escrevendo (se tudo der certo) meu trabalho de conclusão e preciso de um meio de me comunicar com as pessoas, de me manter em contato com cada um daqueles que geralmente estão do meu lado e a melhor forma que achei foi essa.
O blog possibilita que eu fale diretamente com cada um e é assim que farei. Escreverei diretamente pra vc, aí sentada e lendo isso agora. Será o teor do blog, uma conversa entre amigos, se vocês imaginarem uma mesa de bar, uma cerveja e um lugar onde as pessoas ficam a vontade, entrará mais facilmente no espírito do blog.
Já me desculpo pelo tom confessional e lamentos, lamúrias e afins, mas já que a proposta é o máximo de transparência possível, isso fará parte e será um documento que guardarei pra me lembrar do que estou passando.
O blog possibilita que eu fale diretamente com cada um e é assim que farei. Escreverei diretamente pra vc, aí sentada e lendo isso agora. Será o teor do blog, uma conversa entre amigos, se vocês imaginarem uma mesa de bar, uma cerveja e um lugar onde as pessoas ficam a vontade, entrará mais facilmente no espírito do blog.
Já me desculpo pelo tom confessional e lamentos, lamúrias e afins, mas já que a proposta é o máximo de transparência possível, isso fará parte e será um documento que guardarei pra me lembrar do que estou passando.
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